ENCANTAMENTO
Ó Deus serpentecostal
que habitais os montes gêmeos,
e fizestes do meu cu
o trono do vosso reino,
santo, santo, santo espírito
que, em amor, nos forjais,
felai-me com vossas línguas,
atiçai-me o vosso fogo,
daime as graças do gozo
das delícias que guardais
no paraíso do corpo.
GUIDO
Mais que bofe, febo,
sol noturno, guia
de amantes míope
e seu amor cego.
Mais que bofe, febe,
lua amorenada,
eu alunado,
veias em febre.
Vedem-me de ver-te,
sátiro moreno,
mas dêem-me ao menos
os teus olhos verdes.
NOS DIAS DE AIDS
Nos dias de Hades e seu reino podre
hás de doar odes e até o odre.
Hás de ir ao Id, de todos os modos.
Hás de ir ao Id, enquanto se pode.
Isento de ódio, imune ao medo,
hás de ir ao Id, já não é mais cedo.
Hás de ir ao Id, hás de ir ao Id,
Para depor Hades, que a tudo preside,
e, depondo Hades, todos os poderes
que impedem a mútua doação dos seres.
Estes poemas foram retirados da coletânea Esses Poetas, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. e publicada pela editora Aeroplano. Se quiser saber mais sobre o (Edí)Valdo Motta, sugiro o post A desbundada poesia erótico-mística de Waldo Motta.
